O peso de um nome 2

Esta noite encostámo-nos os dois no sofá a fazer zapping – evento que acontecerá sensivelmente 2, 3 vezes ao ano, já contando com dias de férias, e por si só digno de nota. Nisto oiço um nome, e repito-o lentamente em voz alta, sem precisar de o contextualizar. Relações de onze anos dão nisto: a prata sabe bem o que a casa [des]gasta.

Eu: Evaristo… é isso.

Ele: Evaristo porquê?

Eu: Quando começasse a trabalhar, podíamos sempre apontar para um sítio que estivesse pior e dizer “Ó Evaristo… tens cá disto!” [sic]

Ele: Está boa! Fica Ernesto então.

Roundabout Hell

magicroundaboutswindonuk

Rotunda Mágica em Swindon (Inglaterra)

Dizia eu no Facebook que hoje estava ligeiramente irritada com o comportamento de certos condutores nas rotundas por onde passei quando fomos às compras. Talvez isto se deva a ter vivido em São João da Madeira, uma das Terras das Rotundas, e invariavelmente encontrava pessoas a cometerem os piores atentados à Cartilha das Rotundas [não me puxem para dissertar sobre os automóveis dos agentes da autoridade]. Talvez isto se deva a ter de fazer várias rotundas, quer nos dias de trabalho, quer nos dias de descanso, e invariavelmente encontrar alguém que simultaneamente tem algum distúrbio que a obriga a fazer as piores escolhas possíveis e a maior sorte do mundo em não provocar algum acidente. Talvez isto se deva às hormonas.

Só sei que é a asneira em si, o sinal mal feito, a velocidade mal controlada, a prioridade mal dada, a faixa errada, o quase acidente, o reclamar sempre de quem não tem razão [a ironia]. Não há pachorra para uma situação que só nos devia facilitar a vida. Em vez de assobiar alegremente [se eu soubesse assobiar] enquanto vou às minhas rotundas, perco metade da atenção a controlar se aquele que vai na faixa exterior vai mesmo sair na próxima saída, se o que está a fazer o pisca vai mesmo mudar de direcção, se o que vai a acelerar vai mesmo continuar a essa velocidade e não vai travar de repente, se aquele que está a fazer sinal o está a fazer porque quer ou porque se esqueceu de o desfazer. Condução defensiva é uma coisa, mas ter de precaver o disparate alheio é algo que me faz acabar esta frase por aqui, antes que me arrependa.

É que se as nossas rotundas fossem como a Rotunda Mágica de Swindon, ainda vá que não vá. Mas um dia hei-de criar um culto à Grande Rotunda e hei-de partir para evangelizar o mundo. Duvido é que tenha seguidores – certamente porque se hão-de enganar no caminho.


O peso de um nome

Hoje fomos comprar o Roomba 880 da iRobot – chegará dentro de dias. Entretanto, lá íamos tentando decidir que nome lhe dar [parece que isso de dar nome aos Roombas é uma “coisa”.

Ele: Maria.

Eu: Não. Demasiado sexista.

Ele, de cara séria: Então, Ernesto.

Eu, entre risos: Ernesto? A que propósito?

Ele, a vestir a pele da personagem: Sim. Ernesto, apetecia-me algo…

Eu, já em estado de perder “uma ou outra gotinha”: Ah! Ah! Ah! Esse era Ambrósio.

Ele: Então fica Ernesto.

Às voltas

2helisTanta acção que vi hoje no céu – helicópteros para a frente, helicópteros para trás – que só me podia inspirar. Remoer é ontem, hoje é andar para a frente. Nestes dias acalma-se o calor com água fresca e umas rodelas de limão do limoeiro dos meus pais. Cereais e fruta fresca, sapatilhas do tamanho certo – e da cor certa, se me é permitido. O calor também se expulsa com transpiração. E mais água fresca.

 

E já que estamos numa de boas pessoas

Um dos encantos do Game of Thrones, para além das personagens que caem que nem tordos e de como as suas histórias se entrelaçam, é o seu elenco. Não há como não rir com as piadas ou fotografias partilhadas por alguns deles nas redes sociais. Uma das minhas preferidas, a bem humorada Maisie Williams [Arya]. Este, apesar de não ser mesmo do autor, tem dias que me leva às lágrimas. O do Pedro Pascal [giro, giro, giro] estava a ficar interessante quando… aquilo dos olhos e tal… *suspiro*. Já agora, esta colecção de bloopers, divulgada há dias na Comic Con, também dispõe bem.

Nem nós sabemos o que dizer.*

Olhamos para trás e pensamos que com um problema tão grande no nariz [demasiado fechado mesmo para um bulldog francês], epilepsia, duas hérnias que precisaram de cirurgia de urgência mais uma que foi lá a toque de medicação, morrer de um problema de estômago é no mínimo pateta. Ele, que como diz o Miguel, um dos meus melhores amigos [desculpa ter contado primeiro à tua mana, mas sabia que mais do que toda a gente com que tenho a sorte de me rodear, ela ia saber exactamente o que dizer porque ia compreender exactamente o que eu estava a sentir], não se devia chamar Cooper mas Hoover.

E a cada ataque e a cada cirurgia tornamo-nos mais rijos e nunca esperamos que o que o torna mais ele é que o vai afastar de nós. ["Foi um problema de estômago" (...) "Não havia nada a fazer."] Sabemos que não podíamos continuar a ter a sorte infinita de conseguir fazer de deus com ele. Mas temos consciência de que conseguimos estender-lhe o prazo de validade neste mundo muito mais do que conseguiria sem a nossa ajuda e isso deixa-me um bocadinho mais em paz.

E pudeste ser palhaço; e pudeste – desde o primeiro minuto em que te vi – pôr a barriga para cima à espera de mimo caso estivesses na camita quando ia ter contigo; e pudeste cavalgar no corredor quando eu chegava a casa até eu esbugalhar os olhos aflita com o que a vizinha de baixo poderia pensar [não se ouve nada, mas ainda assim] e te guiava até ao tapete mais próximo para minimizar o barulho; e pudeste levar BOPs no narizito; e pudeste não aprender rigorosamente truque nenhum a não ser “senta!” e mesmo esse nem sei como foi; e pudeste pôr-me os olhos a arder ainda mais com as tuas lambidelas quando estava triste; e pudeste passear e ladrar [!] a cães brancos [só brancos]; e pudeste pegar na tua primeira cama ainda em bebé e levá-la para o sol do terraço e continuar a levar todas as camas [chegaste a ter 3 ao mesmo tempo] e a pousá-las umas em cima das outras, aos meus pés, e a deitar-te triunfal em cima de todas [ou debaixo delas, no inverno das casas sem aquecimento]; e pudeste dar saltos de kanguru para saltar a cerca altíssima no quintal dos meus pais porque tu não eras de relva, eras mais terra e aquilo parece mais interessante]; e pudeste adorar os meus pais e os pais do Nuno, mas de quem gostavas mais era de uma das irmãs dele, a Ana; e pudeste adorar sempre ir ao veterinário [eras muito esquisito, tu; a tua parte preferida, sempre a da gulodice]; e pudeste pegar no boneco e levá-lo para onde querias, sem brincares com ele [mas tu é que mandavas onde ele tinha de ficar]; e pudeste passar as manhãs, as tardes e as noites nesta sala a admirar a paisagem da varanda e foi a última fotografia que tirei tua – num programa completamente errado e que resultou numa fotografia triste, escura e cheia de grão e que “hei-de tirar uma melhor noutra noite” mas que é simultaneamente das minhas preferidas e das que mais detesto porque cada grão condensa o quanto gostavas disto tudo e me fazes falta.

 

* O mundo divide-se entre as que nos dizem ou sentem que “Nem sei o que dizer” [beijinho] e as que perguntam “E agora querem ter outro?”