Do 8 ao 80 em poucos quilómetros

8. Fomos esta noite dar a nossa primeira vista de olhos ao L.Eclerc de Santa Maria da Feira desde que moramos na nossa casa. Não calha em caminho e fica uns quilómetros mais longe que o Continente e o Pingo Doce, cujas promoções costumam ser mais apetecíveis, mas um dos cunhados disse-nos que lá há o café que costumavam trazer da Suíça, por isso fomos espreitar. Ao fim de quase desistirmos – foi preciso um telefonema e uma pesquisa na Internet para confirmarmos o que queríamos -, lá o encontrámos. Pena foi que também nos deparámos, ao longo de quase todo o supermercado, com pacotes de tudo e mais alguma coisa abertos. Pacotes de cereais. De bolachas. De mousses de chocolate. De café. Uma verdadeira vergonha – quer em relação a quem rouba [e ou é um Houdini Lusitano ou estamos mesmo a falar de várias pessoas] quer em relação a quem tem a responsabilidade de zelar pela segurança do espaço e, em última análise, pela sua limpeza e organização. Não é só o L. Eclerc quem perde. É o cliente que quer trazer um produto intacto e não encontra e por isso não compra. É a marca que não é vendida e por isso também sai prejudicada [na imagem e no lucro]. Algo é urgente mudar.

80. De lá seguimos para o Continente de Santa Maria da Feira. Curiosamente, para ir comprar outro “café” que usamos muito cá em casa e está a 50% de desconto. Já estávamos na caixa quando um segurança intercepta, calmamente, o homem que estava atrás de nós. “O senhor comeu um chocolate, portanto vai-me acompanhar e vai ter de o pagar.” Saímos e ainda os vi – o caso a ser, pareceu-me, eficazmente tratado.

Em nenhum dos casos os roubos eram de bens de primeira necessidade, e para mim fome é muito diferente de fominha, portanto essa desculpa não cola. E isto mexe comigo por dentro e faz-me desbaratar durante 5 minutos no carro, em modo vira-o-disco-e-toca-o-mesmo. Há pessoas que deviam ter vergonha.