#tantobrilhacomoquebra

O meu “oops” do outro dia quando vi o segundo espelho partir não foi rigorosamente nada comparado com a minha reacção quando hoje de manhã vi uma das senhoras a voar para o parapeito para lavar por fora uma das janelas. Se o meu coração fosse de vidro, tinha ficado todo estilhaçado.

#vistasascoisas

E depois das célebres imagens indigestas da criança aos berros durante o que certamente foi o choque da sua vida ao ver o pai agredido daquela forma, tenho igualmente dificuldade em perceber aquele vídeo do saque ao armazém do Vitória de Guimarães [já para não falar em toda a destruição do espaço].

Eu, que depois de diretos bombásticos e réplicas que nunca mais acabam [ontem no Dia Seguinte já passava das 22h30 e ainda não se tinha começado a falar de futebol propriamente dito], imaginava uma cambada de gunas austrolopitecos aos saltos a apoderar-se de cachecois, camisolas e malas de viagem, comunicando entre si através de grunhidos.

Qual quê. O que se vê nas imagens são homens e mulheres aparentemente bem apessoados, passadinhos a ferro, com toda a calma do mundo a conversar e a reunir material, como se fosse a mais normal das atividades.

Como será o dia a dia destas pessoas quando ninguém está a olhar? 

#bipolaridades

Este sábado começámos com um passeio ao sol pelos Clérigos [ocasionalmente em modo slalom provocado pela torrente de turistas boa-onda] e terminámos com um jantar tranquilo na companhia de uma Redoma.

Pelo meio

1. passámos a correr pelo outlet de uma reconhecida loja de mobiliário e decoração e ficámos desiludidos;

2. fomos com marcação a um concessionário de automóveis e tivemos de esperar bastante que a pessoa com quem tínhamos marcado acabasse de almoçar [bicho papão seria o subtítulo do episódio, uma vez que durante o test-drive até as funções mais interessantes do painel do automóvel o bicho comeu];

e 3. numa outra loja de decoração, contrariando todas as primeiras impressões de quem nos diz que nunca tinha ouvido falar de um sofá como o que temos na sala [...], nos surpreende com uma corrente de boas ideias, boas vibrações, e ofertas das quais nem sequer estávamos à procura.

Foi um dia cheio. E hoje, com festa, ainda promete mais. Gosto tanto do sol de maio: parece que temos tempo para tudo e mais.

#Sóele

Até podem comprar e-xa-ta-men-te as mesmas peças de decoração que nós, mas ah!, só ele para inventar novos sítios onde plantar o que afinal não coube onde estava previsto – e que acabam por ficar perfeitos.

Demasiadas #mortesnaestrada

Cada um terá as suas experiências, mas mais que aos habituais períodos de férias, associo sempre os primeiros dias de maio a perigo na estrada. Isto por causa dos peregrinos que vão para Fátima e que me fazem sempre redobrar a atenção enquanto conduzo.

Quando era mais nova, um conhecido rapaz da minha terra ficou com sequelas psicológicas gravíssimas, durante o seu caminho com a família até Fátima. Só esse episódio já era suficiente para de algum modo me marcar.

Entretanto, durante os anos em que tinha de percorrer uns quilómetros da IC2 na zona de São João da Madeira durante a madrugada e me deparava com alguns peregrinos, depois mais outros, até chegarem a ser dezenas, pensava sempre na sorte que tinham por a) eu conhecer bem o caminho b) eu saber que durante estes dias devia esperar gente a pé numa estrada só para veículos c) eu ser uma condutora cautelosa que tenta de forma quase obsessiva prever toda e qualquer desgraça enquanto conduz e d) não haver nenhum azar por cima de tudo isto.

Ontem tivemos de passar por São João da Madeira e por acaso viemos por dentro, mas lá passámos por um peregrino que, coitado, lutava com as forças que tinha contra a chuva intensa que se fazia abater. E eu pensava “lá terá de dar uma volta maior, mas pelo menos aqui está em segurança”.

Hoje acordo, consulto as notícias, e leio que cinco pessoas foram colhidas, mais à frente, já na zona de Coimbra. No meio de uma coincidência que na realidade não o é, isto ainda vem reforçar mais a minha noção de “início de maio”. Num país em vertiginosa banca rota, falar em criar caminhos paralelos seguros será uma heresia para alguns, um “evidente” para outros, os que não compram quilos de almas a tostões.

Por outro lado, também ter menos pressa e escolher caminhos seguros – para todos – me parece fundamental.

São demasiadas mortes na estrada, é só isso que sei. E estou cansada de esperar por meados de maio para suspirar por uns breves momentos.

Dia do #trabalhador

Chegar precisamente neste dia a um ponto em que se conclui que a decisão profissional que se tomou há pouco mais de um ano está a dar frutos é um alívio e, sim, um privilégio. Não há dias de folga nem almoços grátis, mas a sensação de que a carroça está a andar mais para a frente que para trás deixa-me satisfeita.

Por isso é que quanto mais anda, mais a empurro, teimosa que sou em ter receio que abrande. E só isso pode ser desculpa para ter acordado às 7 da manhã para trabalhar, apesar de ser feriado e de precisar de uma terapêutica sessão matinal de cama.